Saturday, December 09, 2006

Paulo Cesar Caju e Mário Sérgio



 



Desde a conquista da Libertadores, no dia 28 de julho, até a final do Mundial, no dia 11 de dezembro, o Grêmio teria exatos 136 dias para se preparar. Foi uma verdadeira maratona, com 40 jogos neste período, mesclando a equipe titular e a reserva.

Equipe titular que havia sofrido uma baixa importante. Nem mesmo a vaga assegurada na grande decisão de Tóquio foi suficiente para que o meia Tita desistisse da idéia de retornar ao Flamengo após a conquista da Libertadores. Eterno reserva de Zico no time da Gávea antes de ser emprestado ao Grêmio, Milton Queirós da Paixão, o “Tita”, viu na venda do Galinho de Quintino para a Udinese da Itália a grande chance de assumir a camisa 10 do rubro-negro carioca, um antigo sonho. A vontade do jogador aliada à pressão do Flamengo por seu retorno tornou impossível manter o atleta no Olímpico.

Com a iminente perda de um dos seus principais jogadores na campanha da Libertadores, o Grêmio tratou de buscar um substituto a altura. Acabou trazendo não apenas um, mas dois substitutos: os experientes Mário Sérgio e Paulo César Caju. Este último já havia atuado pelo Tricolor em 1979, vencendo o Estadual.

Mário Sérgio atuava pela Ponte Preta, e Paulo César foi trazido do Aix em Provence, equipe do futebol francês. Estavam aí os dois reforços visando a final de Tóquio que fizeram a torcida esquecer Tita. (Márcio Neves da Silva- Grêmio.net)

Visando o jogo final do mundial em Tóquio ,em 83,fomos ,Ithon ,preparador físico, e eu,assistir ao jogo do Hamburgo contra o Werner Bremem pelo campeonato alemão.
Terminado o jogo ,fui entrevistado pelas rádios Guaíba e Gaúcha de Poro Alegre ,que acompanhavam aquela partida.
Queriam saber qual seria nosso comportamento tático ,para enfrentarmos a decisão do mundial de clubes.
Fui simples :
-"Contratar o Mário Sérgio"!
Voltando a Porto Alegre,sabia que os dirigentes pensavam ,que o Mário seria mais um problema e não uma solução.
Então acrescentei:
-"Contratem o Mário Sérgio e nós seremos campeões"!!
Ligo então para o Mário,na época jogando pela Ponte Preta,para convencê-lo a ir para aquele desafio.Convite aceito,felicidade minha e apreensão também ,posto que ainda precisava convencer os dirigentes da importância daquela contratação.
Mais uma reunião:Objetivo alcançado!!!
Mário Sérgio contratado!
Mário Sérgio ,destaque no jogo final! (Valdir Espinosa)


"Em 1983, com 33 anos, eu estava na Ponte Preta e já planejava o fim da minha carreira como atleta profissional quando fui contratado pelo Grêmio só para disputar o Mundial de Clubes contra o Hamburgo, em Tóquio. Aquela era a minha grande oportunidade de conquistar um título que não imaginava que poderia ganhar mais.

Eu já havia disputado a Libertadores, mas como não ganhei achava que não havia mais a possibilidade de ser campeão do mundo. Foi então que o Valdir Espinosa, que era técnico do Grêmio e meu amigo desde o tempo que trabalhamos juntos no Vitória, me chamou para conversar depois de um jogo entre Ponte Preta e Grêmio. Ele me convidou para jogar com ele. Muitos me criticaram, principalmente no Rio Grande do Sul achavam que eu não tinha mais condições de jogar em alto nível. Naquela época, o preconceito contra atletas com mais de 30 anos era muito maior do que hoje.

Fiquei quieto, aguentei as críticas, mas fiz uma preparação especial para o Mundial. Dei o meu máximo. Sabia que era uma oportunidade única e não podia decepcionar aqueles que apostaram em mim. Disputei apenas duas partidas do Campeonato Gaúcho e ficamos 25 dias concentrados em Gramado, trabalhando só para enfrentar o Hamburgo, vivendo 24 horas por dia com o pensamento voltado somente para aquela partida.

O trabalho físico foi intenso. Sabíamos que os alemães eram muito fortes. Até por uma questão de genética, tínhamos consciência de que não poderíamos igualá-los, mas buscamos pelo menos nos aproximar da força física deles, e deu certo.
Foi um jogo duro, muito equilibrado. No fim do primeiro tempo, conseguimos abrir o placar com o Renato Gaúcho, mas quando a partida já estava próxima do fim, aos 40 minutos do segundo tempo, sofremos o empate. Veio então a prorrogação e logo no comecinho dela o Renato fez outro gol e nós vencemos.

Para mim, porém, aquele jogo ficou marcado mais pelas coisas que aconteceram fora do campo. O meu ex-sogro, do meu primeiro casamento, sempre me defendeu muito das críticas que recebia, sempre esteve do meu lado, mas morreu no dia do meu aniversário e, lamentavelmente, não estava mais comigo naquele momento tão importante.

Aquele título era um presente que eu queria dar para ele, mas que não pude. No final da partida, recordo-me que não consegui controlar a emoção e desabei no choro ao lembrar dele. Chorei demais mesmo.

A nossa volta para Porto Alegre também foi bastante emocionante. Nunca vou me esquecer da festa que a torcida fez no trajeto do aeroporto até o Estádio Olímpico para nos receber. Aquelas cenas ainda são muito marcantes para mim. Aos 33 anos, calei os críticos e conquistei o título mais importante da minha carreira." (Mário Sérgio - Estadão)

2 comments:

Anonymous said...

Thanks :)
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Stefano Barbosa said...

Mário Sérgio era pé-quente!! Deu sorte a dupla Grenal!