Sunday, December 10, 2006

Em tóquio


Feito todo o trâmite de entrada no país, a delegação gremista sofreu o primeiro choque cultural tendo em vista o avanço tecnológico e as modernidades japonesas. Isso sem falar no idioma. Nenhum letreiro que não tivesse a tradução para o inglês poderia ser identificado.

Sensível a estes problemas, a Toyota, patrocinadora do Mundial, colocou cinco tradutores à disposição da delegação 24 horas por dia. Com a ajuda deles, todos os problemas de alfândega foram solucionados até a delegação embarcar em um ônibus especial com destino ao local da concentração, no centro de Tóquio.


Um grande contingente de brasileiros aguardava no saguão do Hotel Prince pela chegada da delegação gremista. O trajeto de Narita até o hotel durou aproximadamente duas horas, um sacrifício pequeno para quem já havia passado 36 horas em deslocamento. A recepção foi carinhosa, ao estilo japonês, e animada, ao estilo brasileiro.


A grande maioria dos gremistas preferiu subir para os quartos para tomar banho e descansar em uma cama de verdade. O delicioso jantar foi servido às 20h15, horário local. Uma hora depois, a programação distribuída pelo clube anunciava que os atletas deveriam se recolher aos aposentos. O principal objetivo agora era adaptar o organismo dos jogadores ao fuso horário local.



Depois de aproximadamente 11 horas de descanso, a delegação gremista despertou às 9h da manhã de quinta-feira para o desjejum no restaurante do hotel. Uma alimentação leve, para não interferir no treinamento marcado para o meio-dia em um centro de treinamento próximo ao hotel.


O horário foi decidido pela comissão técnica por coincidir com o horário da partida de domingo. O estádio Nacional, local do jogo, só seria disponibilizado no sábado para um rápido reconhecimento do gramado. (Gremio.net)



"Naquela viagem aconteceu o seguinte: na ida, o jogador Caju pediu para renovar contrato; ele pediu, eu estava sentado, ele falou com o Seu Galia e eu fiz que estava dormindo, eu vi ele pedindo e o outro dizendo que não. Treinei no time de reservas do Grêmio, eu e o Doval, e fiz a função muito bem, porque sabia das minhas limitações, então disse “É pouco e sem muita explicação”. Aí o Espinosa pediu para eu ficar na ponta-direita, sem me mexer muito. Isto deu uma ciumeira nos colegas maravilhosa. Aí nesta, o Espinosa terminou o jogo e deu, só pra mim, a entrevista dizendo que estava pedindo demissão do cargo de técnico do Grêmio. No treino, quando fui treinar, eu botei na janela do vestiário meu gravador e deixei gravando a palestra do Espinosa. Terminei o treino e estava tudo pronto. Este foi um furo de reportagem que eu dei. Está registrado. Na volta do Rio a Porto Alegre, eu transmiti de dentro do avião. Esta transmissão é inédita, porque o cara vir do Rio de Janeiro a Porto Alegre transmitindo a viagem do Grêmio... Eu falava cinco minutos e parava cinco minutos, foi um trabalho de engenharia com a Varig de Porto Alegre, e aí tem dois episódios interessantes. Um deles é o Ministro Mario André Asa, então candidato à Presidência da República na época da ditadura, queria cumprimentar o presidente Fábio Koff pela conquista do título, fazer uma média e tal, e então chamaram o Koff e ele se recusou a atender. Logo após, me disseram assim: “Darci, o Seu Maurício (Sirotsky) quer falar contigo.” Eu falei: “Diz pro Seu Maurício aguardar uns cinco minutos na linha, porque tem os cinco minutos regulamentares do comandante”. Então, eu fiz o Seu Maurício esperar cinco minutos por mim, tá certo. Essa transmissão acho que ninguém fez" (Darci Filho - Vozes do Rádio)

Grêmio.Net: O senhor tem alguma história curiosa, peculiar, desta viagem ao Japão que possa ser relembrada?

Koff: O Alberto Galia sempre foi muito religioso, crente. Um dia fomos visitar o templo de Buda, em Tóquio. No altar havia uma fumaça que ficava ali permanente. O Galia começou a agarrar aquela fumaça com as mãos e a passar por todas as partes do corpo. Todas mesmo. Meio que constrangido ele olhou pra mim e disse que era para dar sorte. Mesmo com aquele jeito de brincalhão, a gente sabia que no fundo o desejo era esse. E deu certo.

Grêmio.Net: Você já foi quatro vezes com o Grêmio ao Japão mas em 1983 era a primeira vez. Como foi esse primeiro contato com tão diferente cultura?

Banha: Parecia que eu estava em outro mundo. Era completamente diferente do que eu estava acostumado. Uma tecnologia muito desenvolvida. Para atravessar a rua, havia um aparelho sonoro para ajudar os cegos a atravessarem. Impressionante.

Grêmio.Net: Houve alguma dificuldade de comunicação no dia-a-dia com os japoneses?

Banha: Não. Nenhum. O Grêmio pensou em tudo e, no hotel, haviam quatro ou cinco intérpretes à disposição da delegação. Se a gente queria sair pra fazer compras, sempre éramos acompanhados por um deles. Fiquei responsável por fazer feijão para os jogadores e até mesmo na cozinha havia um interprete para me ajudar


1 comment:

Stefano Barbosa said...

Sumi-masen! Nihongo wa Dekisamu-ka?