Saturday, December 09, 2006

Gramado

Em meio à disputa do Campeonato Estadual, a direção gremista resolveu instalar a “Operação Tóquio”, dando completa atenção à partida com o Hamburgo.

Entre as ações da direção gremista, houve um esquema de acompanhamento a fundo da equipe alemã, com o apoio da imprensa gaúcha e de gremistas radicados na Alemanha e uma excursão pela América Central. Com a proximidade da viagem para Tóquio, a diretoria gremista decidiu afastar o grupo da euforia que tomava conta dos torcedores gremistas em Porto Alegre e concentrou a delegação na cidade de Gramado, na Serra Gaúcha. Longe da agitação, o grupo trabalhou forte sob o comando do preparador físico Ithon Fritzen

Após o período em Gramado, o Grêmio desceu a serra para um último compromisso antes do início da viagem marcada para a tarde de segunda-feira. No sábado, a equipe reserva havia sido derrotada pelo Brasil de Pelotas, no Bento Freitas, dando adeus ao campeonato gaúcho, e no domingo, no Olímpico, em um amistoso de despedida, o time principal acabou derrotado pelo Novo Hamburgo pelo placar de 1 a 0.

O resultado não abalou a confiança da torcida gremista que prometeu lotar o aeroporto Salgado Filho antes do embarque. (Márcio Neves da Silva- Grêmio.net)


Mazaropi, Osvaldo, De León, Tarciso, JOÃO BOSCO VAZ e Baidek.

Paulo César, Renato, P.C.Caju e Casemiro.

Ithon Fritzen, eu, JOABEL PEREIRA, Mário Sérgio, Caio, China, Zeca e Banha.

Paulo Roberto e Dr. Colla.

Outros tempos

Essa foto foi tirada durante uma concentração em Gramado, antes do jogo final do Mundial Interclubes, em Tóquio. Estávamos assistindo a uma fita do jogo do Hamburgo da Alemanha, nosso adversário.

A fita foi conseguida através de um comandante da Varig que trouxe para nós depois de um bom tempo. Hoje em dia é bem mais fácil o acesso a todo tipo de informação, era digital. Mas além disto, e da antena moderna sobre a televisão, quero chamar a atenção de voces para a presença de dois repórteres, JOÃO BOSCO VAZ , da TV Gaúcha e JOABEL PEREIRA da Rádio Guaíba, assistindo a fita conosco.

Será que isso seria possível hoje em dia?

Outros tempos... (Valdir Espinosa)



Muito mais do que técnica e raça, o Grêmio precisou de fôlego para correr durante 120 minutos e derrotar o Hamburgo para sagrar-se campeão do mundo. E o responsável por fazer o time do Grêmio suportar até o fim foi o preparador físico Ithon Fritzen.

Ithon lembra que todo o planejamento gremista foi alterado para a disputa dessa partida decisiva: “Na época nós montamos um planejamento para o jogo bem diferente do normal, trabalhamos o fuso horário, entramos no clima de disputa de uma competição relativamente nova e que não tínhamos muitas referências além do Flamengo, que havia sido campeão em 1981.” Segundo o preparador físico, a alteração climática também era um fator a ser trabalhado: “Nós saímos de um verão no Brasil para o inverno no Japão. Do aeroporto até o hotel, nós víamos muita neve. Chegamos em Tóquio sete dias antes para nos adaptarmos ao horário, cuidarmos da alimentação dos atletas e também passamos a treinar no mesmo horário em que seria o jogo, para que os atletas entrassem definitivamente no clima da partida” (Ithon Fritzen)



“Nos íamos viajar naquela noite para a serra e eu disse que não ia viajar. Então o Verardi mandou eu ir falar com o presidente. Ai eu disse que ia para a serra, mas não ia para Tóquio. Então eu fui para a serra e treinei. Ai voltamos, descemos para Porto Alegre, chegamos e eu falei:
- Seu Verardi, se o senhor não falar com o presidente, não vou viajar não.
No dia seguinte era a nossa viagem. Nos fizemos um jogo amistoso em Porto Alegre e eu insisti que não ia viajar se o presidente não tirasse aquela multa. Ai o Verardi sugeriu que nos fossemos na sala dele. Então nos fomos. Só que eu disse que eu queria uma testemunha. Levamos o Espinosa. Entramos. Eu me lembro ate hoje do presidente. Ele era meu pai. Então falou:
- O que houve, Renato?
- Não vou viajar
E o Espinosa apavorado. E o Koff:
- Não vai viajar, você esta maluco? Não vou tirar a multa.
Virou e mexeu, continuamos a discutir e fechou o seguinte: eu fiz um trato com ele.
Eu sugeri:
- Eu viajo e o senhor deixa a multa. Se nos formos campeões, o senhor tira a multa. Se eu meter um gol, o senhor me dá um reajuste, mas sendo campeão.
Ai ele disse:
- Ta legal.
Então falei:
- Tem mais uma coisinha: se eu meter dois gols, o senhor dá o meu reajuste e dobra meu salário. E o Koff disse:
- Você esta maluco?

Ai ele deu o reajuste e dobrou o meu salário com o maior prazer.
Quando terminou o jogo, eu perguntei: cadê o presidente? “Eu olhava para ele e ele fugia de mim, ai eu ria e ele também” (Renato Portaluppi).

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