Monday, December 11, 2006

Campeão do Mundo


MUNDIAL INTERCLUBES
Gremio 2 x 1 Hamburgo

11 de dezembro de 1983 - Estádio Nacional – Tóquio, Japão
Horário: 12h (Japão) - 00h (Brasil)
Público: 62.000
Arbitragem: Michel Vautrot (FRA) auxiliado por Toshikazu Sano (JAP) e Shizuhasu Nakamichi (JAP)
Gols: Renato aos 37min do 1° tempo; Schröeder aos 40min do 2°tempo e Renato aos 3min da prorrogação
Cartões Amarelos: Mazaropi, Caio, Renato e De León (GRE) ;Stein (HAM)

GRÊMIO FBPA: Mazarópi ;Paulo Roberto, Baidek, De León e Paulo César Magalhães; China, Osvaldo (Bonamigo 25 do 2°t) e Mário Sérgio, Renato, Tarciso e Paulo César Caju (Caio 33 do 2°t)
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Leandro, Casemiro, Tonho e César

HAMBURGER SV: Stein, Wehmeyer, Hieronymus, Jacobs, Schroeder, Groh, Rolff, Magath, Hartwig, Hansen, Wuttke
Técnico: Ernst Happel


DIRETORIA E COMISSÃO TÉCNICA
Presidente
: Fábio André Koff
Vice de futebol: Alberto Galia
Diretores: Túlio Macedo e Rudy Armin Petry
Supervisor: Antônio Carlos Verardi
Preparador físico: Ithon Fritzen
Médico: Ziuton Bohmgahrem
Vice-Presidente - Adalberto Preis
Vice-Presidente - Mário Leitão
Vice-Presidente - Mauro Rosito


YouTube - Gols do jogo - narração: Ranzolin - aqui
YouTube - Gols do Fantástico - aqui
YouTube- Entrega da Taça - aqui





Jornais e Revistas

Campeão - Festa no Brasil



Festa no Japão, festa em Porto Alegre e em todo o Estado do Rio Grande do Sul.

Os relógios marcavam quase três horas da manhã quando a torcida gremista tomou conta das ruas da capital gaúcha. O ponto de encontro foi a avenida Érico Veríssimo, esquina com avenida Ipiranga, ao lado do prédio do jornal Zero Hora.



Antes de partir para o local da festa, os torcedores das organizadas do Grêmio que viram a partida na sala do Departamento invadiram o Salão Nobre do Conselho para confraternizar com os dirigentes e conselheiros

Na segunda-feira, dia 12, às 7h (19h de domingo em Porto Alegre), a delegação gremista embarcou para Los Angeles onde, na terça-feira à noite, participou de um jogo amistoso contra o América do México pela cota de 50 mil dólares. O Presidente Fábio Koff já havia assegurado 300 mil dólares para o Clube pela participação e vitória na Copa Toyota.

A chegada em Porto Alegre estava marcada para o início da tarde de quinta-feira. A delegação chegou no vôo 100 da Varig proveniente do Rio de Janeiro.

Nesse momento, o Grêmio inaugurou as comemorações de títulos em caminhão de bombeiro. Foi assim que os jogadores foram transportados até o Estádio Olímpico, local da festa programada pela direção do Clube. As principais ruas de Porto Alegre foram palco das comemorações da maior conquista até hoje de um clube gaúcho.

Em todos os cantos da cidade, os milhares de fogos que eram estourados naquele início de tarde de quinta-feira, com certeza, eram de gremistas. (Gremio.net)


Grêmio.Net: Será que tem como descrever a sensação de ser um presidente campeão do mundo e a emoção de chegar em Porto Alegre carregando a taça?

Koff: Não. Isso é indescritível. Quando a gente está no estádio, em um país distante, com tudo muito diferente, a gente fica com a euforia um pouco contida, sem poder extravasar. Só lamentávamos em não estar em Porto Alegre naquela hora. Mas esse sentimento foi compensado quando chegamos no aeroporto. Ver aquelas pessoas na rua, a cidade parada, o desfile da delegação, a recepção no Palácio Piratini... Um momento indescritível. Fico feliz por ter contribuído com isto e ter vivido este momento.



O ponto de concentração da torcida gremista aconteceu na rua Érico Veríssimo, na esquina com a avenida Ipiranga, ao lado do prédio do jornal Zero Hora. A empresa disponibilizou um telão gigante para a transmissão da partida que reuniu aproximadamente 8 mil pessoas
No Olímpico, centenas de conselheiros e familiares se reuniram no Salão Nobre do Conselho Deliberativo, enquanto outro grupo de gremistas das torcidas organizadas acompanhou em um pequeno televisor na sala do Departamento Eurico Lara.


Após o apito final, todos confraternizaram e seguiram a pé para o prédio da Zero Hora. Milhares de gremistas em todo o Estado invadiram a madrugada de domingo aos berros e buzinaços para comemorar a grande conquista.

A festa seguiu durante toda a semana até o retorno da delegação, que reuniu milhares de pessoas nas ruas da capital para acompanharem de perto o desfile do caminhão do corpo de bombeiro trazendo os campeões mundiais. Um momento inesquecível para quem vivenciou e para quem só acompanhou as imagens anos depois (gremio.net)



Campeão - Festa no Japão

O planeta reverenciava o futebol do gaúcho. O capitão Hugo de Leon foi o responsável por levantar a taça do campeonato. Renato foi eleito o melhor em campo e recebeu um carro Toyota dos patrocinadores. Começava em Tóquio a festa gremista que não tinha data para terminar.
Depois de receber o troféu e as medalhas, o capitão comandou a volta olímpica pela pista atlética do estádio Nacional acompanhado pelos companheiros, diriegntes, comissão técnica e alguns torcedores que conseguiram entrar no gramado.

Depois de receber o troféu e as medalhas, o capitão comandou a volta olímpica pela pista atlética do estádio Nacional acompanhado pelos companheiros, diriegntes, comissão técnica e alguns torcedores que conseguiram entrar no gramado.


Os cerca de 200 torcedores brasileiros que estiveram presentes no jogo, iniciaram uma peregrinação a pé até o hotel onde a delegação estava hospedada. A festa dos jogadores continuou no vestiário, no ônibus e no saguão do hotel. De León e Renato ficaram no estádio para a entrevista coletiva. A festa seguiu durante a tarde e a noite do Japão. Em Porto Alegre, ninguém dormia mais.



Grêmio.Net: Você tem alguma história curiosa vivida neste período no Japão que possa ser relembrada?

Espinosa: Logo após o final do jogo, eu, o De Leon e o Renato, que havia sido eleito o melhor em campo, permanecemos no estádio para a entrevista coletiva enquanto o resto do grupo ia para o hotel. Quando chegamos de volta ao hotel, chamei todos os jogadores para o meu quarto e pedi três champanhas para comemorar. Quando o japonês trouxe a conta eu me apavorei. Não tinha como pagar. Chamei o Koff e disse: “Presidente, assina essa conta aqui pra mim”. Ele disse: “Tá bom. Deixa comigo”. (Risos) Isso que foram só três champanhas. Imagina se tivesse pedido mais?





"Terminado o jogo em Tóquio, De Léon, Renato e eu ficamos para a entrevista coletiva. Ao chegarmos no hotel,mais tarde do que a delegação ,convidei a todos os jogadores para tomarmos um champagne no meu apartamento. Todos lá, pedi 5 garrafas de Don Perignon!
Antes que o garçom estourasse a primeira garrafa, olhei a nota e vi que a despesa era de quase U$1500(hum mil e quinhentos dólares).Imediatamente gritei:"-Stop"!
O garçom assustado parou.
Peguei o telefone e liguei para o Presidente Koff, contando o acontecido e pedi-lhe ajuda para pagar aquela nota.
De imediato recebi a autorização para assinar a nota e então gritei para o garçom ,que ainda estupefato, aguardava:-"Ok!Go on!!!"
Iniciavamos assim a comemoração de um Titulo ,que tem sua fiel tradução na música, que diz:
NADA PODE SER MAIOR!!!!!!!!" (Valdir Espinosa)


No vestiário do Estádio Nacional de Tóquio, Renato comemorava o título, os dois gols e a escolha de melhor em campo (o jogador recebeu um carro da Toyota). Os jogadores eram abraçados por torcedores que conseguiram entrar. Foi uma festa inesquecível


Grêmio.Net: Você foi escolhido o melhor em campo e recebeu um carro da Toyota. O que foi feito com o carro?

Renato: Havíamos combinado que se alguém ganhasse o carro, pegaria o valor em dinheiro e dividiria com o resto do grupo ou ficaria com o carro tirando o dinheiro do bolso para dividir com o pessoal. Eu optei pela primeira: peguei o dinheiro e dividi com o grupo.



"Como prêmio, ganhei o Toyota oferecido pelos organizadores ao melhor em campo. Mas vendi e rateei o dinheiro. Afinal, se fiz os gols o Grêmio inteiro mereceu o título" ( Renato portaluppi)

Obs: o carro era um Toyota Carina


Grêmio.Net: Qual o momento mais marcante daquele conquista no Japão?

Banha: Foi quando o juiz apitou o final de jogo e a festa começou no estádio. Depois continuou no ônibus, no hotel. Tudo com muito champanhe.







2º gol do Grêmio - Renato

"Logo no início da prorrogação, porém, Osvaldo em lançou para cima do lateral Schröeder. Cortei para dentro e ele deve ter pensado que eu iria repetir a jogada do primeiro gol, quando dei mas dois dribles. Por isso, chutei de pé esquerdo e, felizmente consegui marcar" (Renato Portaluppi)

Mas o Grêmio também tinha suas jogadas ensaiadas. Em uma delas, o atacante Caio lançava na primeira trave a uma altura baixa e em velocidade. Tarciso ia sempre ao encontro da bola, puxava a marcação de um zagueiro e cabeceava para o gol.

Aos três minutos da prorrogação, porém, a bola ganhou altura maior do que o costume. Tarciso rememora:

— Só pude desviar o suficiente para que o Renato a recebesse mais atrás.

Foi mesmo o suficiente. Renato dominou com o pé direito, deu um rápido corte no beque e chutou de esquerda, rasteiro, no contrapé do goleiro Stein. (Zero Hora - 11/12/2008)


"três minutos após o jogo recomeçar, a bola chega outra vez na área alemã. Schroeder leva o primeiro corte, mas o truque não é novo e ele já sabe o que fazer para brecar o segundo. Só que Renato, traiçoeiro e letal, não espera. Bate cruzado, de esquerda. Gol do Gremio! " (Eduardo "Peninha" Bueno)

Prorrogação

Prorrogação
O intervalo foi de muito trabalho para o massagista Banha, que teve que se desdobrar para manter aquecidos os músculos de Renato e China, ambos reclamando de dores musculares. Como o técnico Valdir Espinosa já havia feito as duas substituições a que tinha direito, todos teriam que voltar para a prorrogação.

A definição da partida a favor do Tricolor não demorou para acontecer. Logo aos 3 minutos, brilhou mais uma vez a estrela do predestinado Renato. Num cruzamento da esquerda de Caio, Tarciso apenas encostou, de cabeça, a bola para o ponteiro gremista. Renato dominou de direita, cortou a marcação de Schröder e chutou rasteiro, de canhota, no canto esquerdo de Stein, que ficou sem reação.

Grêmio 2 a 1! Festa gremista em Tóquio e em todo o Brasil.

O Hamburgo partiu pra cima e quase conseguiu o empate aos 5 minutos, num escanteio cobrado por Magath. Renato tentou afastar de cabeça mas errou em bola, ela acabou batendo na cabeça de China e quase entra no seu próprio gol. Para sorte do Grêmio, ela passou por sobre a meta.

Aos 9 minutos, Renato sofreu falta ao lado da área, pela direita. Mário Sérgio se apresentou para a cobrança mas ao invés de fazer o cruzamento, como todos esperavam, tentou surpreender Stein chutando direto a gol. A bola passou perto do poste esquerdo saindo para tiro de meta. Se fosse em direção à meta, dificilmente o goleiro alemão faria a defesa.
Já nos minutos finais da primeira etapa, Renato evitou um contra-ataque do Hamburgo segurando a bola com as mãos. Recebeu cartão amarelo. Hartwig discutiu com o bandeirinha depois de ter sua cobrança de lateral revertida e também recebeu cartão amarelo.
Nos descontos, Hansen recebeu dentro da área, de costas para o gol. A marcação evitou o primeiro arremate, mas a bola sobrou para Jakobs, junto à pequena área, pela direita. Ele chutou forte, rasteiro, mas Mazaropi, bem colocado, defendeu com as pernas e evitou o empate alemão. Acabava a primeira etapa da prorrogação.



O Hamburgo parecia abatido, sem forças para tentar chegar ao empate. Os alemães faziam pressão de maneira desorganizada, no desespero, enquanto o time gaúcho continuava levando perigo nos contra-ataques. Era questão de tempo para o Grêmio comemorar.

O Tricolor ainda teve uma última chance de matar o jogo quando Caio recebeu completamente livre, na frente de Stein. Com o gol aberto, ele não teve tranqüilidade e mandou por cima. Mas o gol não fez falta.
Sem dar descontos, o árbitro Michel Vautrot apitou final de jogo em Tóquio. Renato, ajoelhado, desabou em lágrimas. Assim fizeram todos os gremistas, em todo o planeta. O Grêmio era Campeão do Mundo. O maior título que um time de futebol poderia alcançar.


Grêmio.Net: Qual a principal lembrança que você tem daquela conquista?

Espinosa: São duas lembranças: antes do início da prorrogação, o De Leon, que era o capitão, chegou pra mim e disse: “Fica tranqüilo. Lá na área ninguém mais vai cabecear”.Ouvindo isso, o Renato chegou pra mim e falou: “Se lá atrás a defesa garante, pode deixar que lá na frente eu vou arrebentar”.

DE LÉON

Terminado em 1 x 1 no tempo normal ,o jogo do mundial em 83 ,estavam todos sentados no campo ,quando comecei a pensar e a por em prática o trabalho de levantar o moral de todo mundo.Até porque ,naquele momento, estavámos um tanto abalados pelo fato do Hamburgo ter empatado o jogo no final e não poderíamos de maneira alguma, entrar na prorrogação de cabeça baixa!

Mas uma preocupação era forte:as bolas aéreas bastante executadas por eles e que acabou resultando no gol de empate.

Quando iniciei a falar sobre o assunto ,o De Léon disse:

-"Podem deixar toda a bola aérea comigo!Ninguém vai mais cabecear na nossa área"!

Aquele foi o grito que despertou a confiança e a certeza de que iríamos realmente vencer!

Foram 30 ' emocionantes:

Fizemos 1 gol e poderíamos ter feito mais!

Ah !E o Hamburgo? Não cabeceou nenhuma bola mais em nossa área!

O capitão cumpriu com o que havia falado!

GRÊMIO 2 X 1 HAMBURGO (Valdir Espinosa)

A vitória chegaria na raça, na vontade...na sorte.

A TV japonesa transmitiu os 90 minutos ao vivo para a capital japonesa mas teve que interromper as transmissões locais pois a grade de programação não estava programando os 30 minutos de tempo extra.

Até hoje existem japoneses que não sabem o resultado final da partida.

No Brasil, a TV Gaúcha continuava com as imagens dos atletas gremistas extenuados atirados ao chão esperando a prorrogação.

Logo aos 3 minutos da primeira etapa, novamente brilhou a estrela de Renato. Ele recebeu na área cruzamento vindo da esquerda. Dominou com o pé direito, driblou a marcação e chutou com a outra perna, no canto do goleiro Stein.

Grêmio 2 a 1!

Não dava mais para perder.

Já nos minutos finais, num contra-ataque, o atacante Caio (aquele mesmo que marcou o primeiro gol na final da Libertadores contra o Peñarol) perdeu a chance de colocar de vez seu nome na história do Grêmio como "o artilheiro das decisões". Ele recebeu a bola logo após a linha divisória do gramado, entrou com ela dominada completamente livre, e, na entrada da área, mandou uma bomba por sobre o travessão.

Por sorte, esse gol não fez falta.

Grêmio Campeão Mundial!

Sunday, December 10, 2006

Gol do Hamburgo - Schröeder


"Mas, aos 41 min do segundo tempom impõe-se a máxima alemã: Lutar até o apito final. Então, com China jogando no sacrifício e Renato com caimbras fora de campo, o determinado Hamburgo empata o jogo. O gol foi do vingativo Schröeder, que havia sido humilhado pelos dribles de Renato e, talvez em honra a Mohdieck - o zagueirão que, antes de jogar pelo Grêmiom jogara no Hamburgo-, foi lá e igualou o escore. Meio chato, mas digno e heróico." (Eduardo "peninha" Bueno)

"Com um jogador a mais - Renato sentia cãibras e era atendido fora de campo por Banha - os alemães empatam. Schröeder, momentaneamente sem ter a quem marcar, aventurou-se na frente e, num lance desajeitado e sem beleza, tirou do Grêmio o topo do mundo." (Marcos Eduardo Neves)

"Osvaldo também lembra da "ducha fria" que foi tomar o gol de empate aos 41 minutos do segundo tempo, depois de Renato abrir o placar em uma jogada sensacional aos 38 do primeiro. O 1 a 1 saiu em cabeçada do zagueiro Schroeder, após cobrança de falta.

— Sabíamos que o forte deles era o jogo aéreo. Nos preparamos para isso — lamenta Mário Sérgio. " (Zero Hora, 11/12/2008)



Grêmio.Net: No momento em que o Hamburgo empatou o jogo, você estava atendendo o Renato, com câimbras, na beira do gramado. Como foi aquele momento?

Banha: Quando o Hamburgo fez o gol, nós gelamos. O Renato se levantou rapidamente e voltou para o campo dizendo “vamos ganhar, vamos ganhar”. Graças a Deus ele conseguiu fazer o segundo gol na prorrogação. A equipe já estava cansada física e mentalmente e o gol veio na hora certa.


Grêmio.Net: Qual foi o momento mais difícil?

Espinosa: O gol do Hamburgo. O jogo já estava no final e isso levaria a decisão para uma prorrogação. Mas depois do que escutei do De Leon e do Renato não perdi a confiança.


Grêmio.Net: Quando o Hamburgo chegou ao empate, no final de jogo, você estava com câimbras fora de campo. O que você sentiu naquele momento? Chegou a temer que a vitória poderia escapar até porque o grupo estava sentindo bastante no aspecto físico?

Renato: Foi um momento complicado. Cheguei a temer se eu não voltasse para o gramado. Felizmente o Banha (massagista) fez uma massagem esperta e me deixou na boa.


“Nós sofremos um abalo emocional muito grande com o gol de empate a quatro minutos do fim. Tratamos de acalmar os jogadores antes da prorrogação, mas aquela equipe havia sido muito bem trabalhada e tinha um grupo maduro, com Mário Sérgio, De Leon, Paulo César. E o golaço do Renato, logo no início da prorrogação, transferiu toda a pressão para os alemães”.(Ithon Fritzen)

Segundo Tempo

O Tricolor não perdeu tempo e, aos 2 minutos, já criou a oportunidade para ampliar o marcador: Mário Sérgio fez um lançamento buscando Tarciso, na esquerda, que entrava por trás da zaga. Antes dele apareceu Paulo César Magalhães completamente livre, que dominou e chutou, mesmo sem ângulo. No último momento apareceu o pé salvador de um zagueiro alemão para dividir o chute, e a bola passou à direita da meta de Stein.

O lance se repetiu cinco minutos depois: Osvaldo deu um balão afastando o perigo da área gremista e acabou armando um contra-ataque com Tarciso pela direita. Ele recebeu nas costas da zaga alemã, desceu com a bola dominada, entrou livre pela área e só não marcou porque um zagueiro apareceu no momento certo para mandar a escanteio.

Aos 12 minutos, uma jogada que poderia ter mudado a história da partida: Baidek deu um chutão pra frente, afastando o perigo da área gremista e lançando Renato na direita. O ponteiro gremista partiu pra cima do marcador, entrou na área, deu um drible de corpo, colocou a bola na frente e foi derrubado por trás por Hieronymus no momento em que poderia marcar o segundo gol. O árbitro Michel Vautrot, mau colocado, nada marcou. Uma penalidade escandalosa a favor do Grêmio.
Três minutos depois, Paulo César Lima desceu com a bola dominada pela intermediária de ataque. Com categoria, lançou Mário Sérgio que entrava pela direita, livre, se aproveitando da confusão da defesa alemã. Ao invés de chutar, ele preferiu tentar o cruzamento buscando o mesmo Paulo César que entrava pela pequena área. Antes dele apareceu novamente o pé salvador de um defensor. Stein já estava batido.

Neste momento, embora o Hamburgo dominasse o meio de campo, o Grêmio era muito mais incisivo em seus ataques. Os alemães não sabiam transformar seu domínio territorial em ataques e abusavam das bolas levantadas na área. O Grêmio, por sua vez, bem postado atrás, se limitava a dar balões pra frente buscando a velocidade de Renato ou Tarciso nos contra-ataques.
Aos 24 minutos, Espinosa tirou Paulo César Lima e colocou o atacante Caio. Dois minutos depois um dos cruzamentos para a área do Grêmio levou perigo à meta de Mazaropi. Magath cruzou da esquerda, encobrindo De Leon, e o zagueiro Jakobs arrematou de cabeça. A bola foi no ângulo direito com pouca força, forçando o goleiro Tricolor a grande defesa.


Aos 30, Stein saiu da área para tentar jogar com os pés mas acabou errando em bola e teve que fazer falta sobre Tarciso, que levava vantagem. O goleiro alemão recebeu cartão amarelo. O mesmo cartão seria apresentado a Mazaropi no minuto seguinte por retardar a cobrança de um tiro de meta.



Aos 34, Bonamigo entrou no lugar de Osvaldo. Um minuto depois, Caio desceu pela esquerda, sem marcação, e arriscou o chute, obrigando Stein a fazer grande defesa. No lance seguinte, Paulo Roberto cruzou da direita e Caio mergulhou de cabeça, mandando a bola no canto direito de Stein, que fez outra grande defesa.


Aos 40 minutos, o árbitro francês marcou um toque de mão de Bonamigo na intermediária de defesa do Grêmio. Felix Magath fez a cobrança buscando o segundo pau, onde Jakobs evitou o tiro de meta cabeçeando a bola de volta para a pequena área. A zaga gremista não conseguiu afastar e Schröder dominou e mandou para as redes, sem chance para Mazaropi. O Hamburgo chegava ao empate no finalzinho do jogo.


No desespero, o Grêmio ainda tentou a vitória no tempo regulamentar. Aos 45, Renato teve uma chance depois que De Leon ajeitou de cabeça, na entrada da pequena área. O chute de esquerda saiu errado, por sobre o gol. Foi o último lance dos 90 minutos. Ficaria tudo para a prorrogação.Na etapa final, o Hamburgo ficou com o domínio das ações mas praticamente não levou perigo ao gol de Mazaropi que brilhou em algumas intervenções.


Já nos minutos finais, o time alemão tentou um ataque pela esquerda. Voltando para ajudar na marcação, Renato conseguiu roubar a bola no campo de defesa e chutou para lateral. No momento em que esticava a perna finalizar o movimento do chute, o craque gremista sentiu fortes cãimbras e deixou o gramado para ser atendido na beira do campo. Neste momento, o único em que Renato estava de fora, o Hamburgo chegou ao empate. Bola levantada na área gremista e Schröeder empurrou para as redes.

Eram 40 minutos do segundo tempo.

O desânimo desabou sobre os torcedores das organizadas do Grêmio que assistiam à partida na sala do Departamento Eurico Lara, na frente de um pequeno aparelho de TV. Muitos já estavam no pátio de estacionamento esperando o apito final para iniciar a festa. A cerveja já tinha terminado.


Os poucos fogos que estouravam na madrugada daquele domingo em Porto Alegre, naquele momento, não eram de gremistas.

Qualquer obediência aos critérios táticos já tinha sido deixada de lado por parte dos jogadores gremistas. (Gremio.net)

1º gol do Grêmio - Renato

E foi o que aconteceu, quando o Mário Sérgio botou a bola nas costas dele, ali no primeiro gol, no meio de campo, e a bola foi indo, foi indo... o azar dele foi que ele ficou recuando, e era o que eu queria, eu fui indo e quando eu cheguei dentro da área, eu pensei: ‘agora ele tá fudido, eu vou dar o drible e se ele me derrubar é pênalti’. Lá ele podia ter me derrubado e parado a jogada, aí quando eu cheguei dentro da área eu pensei que, ou ele ia me roubar a bola, ou eu ia fazer o gol, porque aqui ele não pode me derrubar. Foi corte para cá, para lá, eu ia cruzar a bola e vi Tarciso entrando aí quando eu dei o último corte nele para cruzar eu i que o goleiro mexeu só o corpo, ficou parado com os pés, mas ele veio com o corpo para interceptar o cruzamento, aí ele deixou uma brecha entre a trave e ele, aí não sei nem como a bola entrou, porque eu peguei no contrapé, chutei entre ele e a trave.” (Renato Portaluppi)

Obs: Quem deu o lançamento na verdade foi o Paulo César Caju.

"Aos 37min do primeiro tempo, Renato dribla uma, duas, três vezes o alemão Schröder. Quando o atônito zagueiro prepara o bote que seria certeiro, Renato dispara um petardo direto para as redes alemãs. 1 x 0 para o Grêmio'. (Eduardo "Peninha" Bueno)

"E o time tricolor volta ao ataque de novo com Renato,. Sempre ele. Agora, o ponta invade a área, corta o lateral Schröeder três vezes, para lá, para cá, e fuzila mesmo sem ângulo. Gol do Grêmio. Os Japoneses aplaudem, encantados com o que vêem. O Baile sai do Campo e incendeia Porto Alegre em um fantástico carnaval" (Revista Placar)
Aos 37 minutos, Renato recebeu a bola na direita, driblou a marcação e chutou cruzado, entre o goleiro e a trave esquerda.

Grêmio 1 a 0.

No Salão Nobre do Conselho Deliberativo do Grêmio, centenas de conselheiros e dirigentes vibravam na frente do telão disponibilizado pelo Clube.

Na pista atlética feita de "tartan" no Estádio Nacional de Tóquio, o técnico Valdir Espinosa, que antes da partida anunciou que deixaria o Grêmio independente do resultado, se abraçou com Renato comemorando a vitória parcial. (gremio.net)

Primeiro tempo


Depois de um minuto de silêncio, o árbitro Michel Vautrot deu início ao jogo. Saída de bola para o Hamburgo.

O jogo começou com o Grêmio nervoso, errando muitos passes. O Hamburgo, por sua vez, dominava o meio de campo mas não conseguia chegar ao gol gremista. O primeiro lance com um certo perigo foi do Hamburgo, aos 20 minutos: Magath tentou meter a bola para Hansen, que entrava pela área. De Leon se antecipou de carrinho na meia lua da grande área. A bola rebatida pelo capitão gremista explodiu no corpo de Hansen e ficou pingando na marca do pênalti. Mais esperto, Mazaropi saiu para fazer a defesa antes que o alemão conseguisse chegar.


Quatro minutos depois, Hansen desceu com a bola dominada pela direita e foi bloqueado pela zaga gremista quando tentava a conclusão, já dentro da área. A bola sobrou no outro lado para Wuttke, que tentou o arremate de longe, chutando por cima do gol, sem perigo para Mazaropi.


A primeira jogada de impacto do Grêmio ocorreu aos 31 minutos: Renato foi lançado na direita, levou a bola até o fundo de campo e fez o cruzamento. A zaga se antecipou, mandando para escanteio. Mário Sérgio cobrou o córner tentando o gol olímpico e quase surpreendeu o goleiro Stein, que deu um soco na bola mandando outra vez pela linha de fundo.

Aos 36 minutos, Tarciso foi lançado pela esquerda e ganhou o escanteio quando tentava cruzar para Osvaldo que entrava pela área. Paulo César Lima cobrou o córner, que foi afastado pela zaga alemã para a entrada da área, onde Mário Sérgio esperava o rebote. Ele pegou de primeira e quase surpreendeu Stein, mas a bola saiu muito alta.

Dois minutos depois o Grêmio chegaria ao primeiro gol. O Hamburgo tentava chegar com perigo na área gremista, mas parou em Paulo Roberto, que afastou a bola de qualquer maneira para a intermediária. Paulo César Lima dominou no peito e rapidamente lançou para Renato, na direita, puxando o contra-ataque.

Ele dominou a bola um pouco além da linha divisória do gramado e partiu em direção ao fundo de campo, sempre acompanhado de perto por Schröder, seu marcador. Em velocidade, já dentro da área, Renato ameaçou correr para fazer o cruzamento. Ao invés disso, puxou a bola de volta para seu pé esquerdo enganando o marcador. Ao ver o alemão voltar para tentar evitar o cruzamento com a esquerda, Renato puxou outra vez com a direita. Já com o marcador vencido, mas sem ângulo, ele preferiu chutar. Junto à trave, o goleiro Stein foi surpreendido pela potência do chute e não conseguiu fazer a defesa. A bola passou entre ele e o poste esquerdo. Grêmio 1 a 0!


O Hamburgo ainda teve a oportunidade de empatar nos minutos finais da primeira etapa, com uma cobrança de falta de Rolf, na entrada da área. Magath cobrou rasteiro, pelo lado da barreira, forçando Mazaropi a fazer uma grande defesa em dois tempos. (Gremio.net)

Antes do jogo

Sábado, dia 10 de dezembro de 1983, poucas horas antes da decisão que mudaria para sempre a história do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

A cidade se prepara para uma noite inesquecível.

Os gremistas passaram todo o dia de sábado com aquele frio na barriga... até tentaram levar uma vida normal. O natal estava chegando e o centro da cidade borbulhava de pedestres atrás das melhores ofertas de presentes. Para as crianças, a loja Hipo Imcosul estava lançando o triciclo Tico-Tico Bandeirante Universal por apenas 10.490 cruzeiros. Os adultos poderiam adquirir o novíssimo computador pessoal TK-85 com surpreendentes 16 ou 48 K-bytes de memória RAM. Nas lojas J.H. Santos, o Televisor Philco 12 polegadas, giratório, totalmente transistorizado e funcionando a luz e bateria custava apenas 109 mil cruzeiros.
Com a partida marcada para a meia-noite, não foram raros os churrascos espalhados pela cidade, afinal o dia seguinte era um domingo. O horário do jogo chegou a atrapalhar a presença de público na apresentação do Presépio Vivo encenado no jardim da Paróquia Menino Deus, em Porto Alegre.

Para quem não conseguia esconder a tensão momentos antes do jogo, a solução era pegar um cineminha para tentar relaxar. O cinema Baltimore, na Avenida Osvaldo Aranha, tinha em cartaz o filme A Filha de Ryan. No cine Marrocos, na Getúlio Vargas, e no Presidente, na Benjamin Constant, o gremista poderia assistir ao filme Tootsie, com Dustin Hoffmann. Boas opções.

Para quem ficou em casa, o programa era acompanhar pela TV o capítulo 162 da novela Guerra dos Sexos antes do Jornal Nacional e, logo depois, o capítulo 42 de Champagne.

Minutos antes do início da partida, a TV Gaúcha entrou no ar com as imagens ao vivo do estádio Nacional de Tóquio, com narração de Celestino Valenzuela.

Ninguém dormia em Porto Alegre.

Bares da capital estavam lotados com as pessoas se acotovelando na frente do aparelho de TV.

No Japão, o time gremista já em campo esperava o início da partida. Os jogadores tentando manter o corpo aquecido para não sentirem os efeitos do frio de quase zero grau. Horas antes da partida, a capital japonesa foi atingida por uma forte nevasca que acabou queimando o gramado do estádio Nacional. (Gremio.net)
Depois de mais de quatro meses de preparação, vivendo 24 horas por dia com o pensamento voltado somente para uma partida, finalmente chegava a hora da grande decisão. A maior partida da história dos 80 anos do Grêmio, um clube surgido no início do século e que traçou seu caminho na base da garra, com a participação de bravos homens que não temeram as adversidades para colocar em prática o sonho de tornar o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense um dos maiores clubes do planeta.

Chegava a hora de mostrar para o mundo a grandeza de um povo. Um povo que veste azul, preto e branco e que jamais foge da batalha.


Depois de um leve café da manhã, a delegação gremista seguiu para o estádio Nacional de Tóquio, chegando no vestiário aproximadamente duas horas antes do início do jogo. A temperatura era de 5 graus e o estádio estava com seus mais de 60 mil lugares lotados.



Em Porto Alegre, o relógio se aproximava da meia noite de sábado, dia 10. A cidade estava completamente parada esperando o início da partida. Não havia uma pessoa que não estivesse na companhia de um radinho de pilha ou na frente da televisão esperando o início da transmissão ao vivo pela TV Gaúcha.

Faltando cinco minutos para o início da partida, as imagens entraram no ar, com Grêmio e Hamburgo já no gramado fazendo aquecimento para espantar o frio. O árbitro francês tomava as últimas medidas antes de apitar o início de jogo. No banco, o técnico Valdir Espinosa fumava um cigarro atrás do outro.

Mais de 2 bilhões de pessoas recebiam as imagens da partida em todo o mundo. Para todo o Brasil, a Rede Globo trasmitia ao vivo com a narração de Galvão Bueno e comentários de Márcio Guedes. Para o Rio Grande do Sul, narração de Celestino Valenzuela com João Nassif nos comentários. (Gremio.net)

MEIAS AZUIS

Os telespectadores mais observadores notaram que o Grêmio usava calção branco e meia azul, ao invés dos tradicionais calções pretos e meias brancas. A exigência partiu da Toyota, que não permitia semelhanças nos uniformes das duas equipes por causa das pessoas que recebiam as imagens em televisores em preto e branco. Como o Grêmio não havia levado meias azuis na bagagem, o pessoal da rouparia teve que correr para encontrar a peça do uniforme nas lojas de Tóquio. (Gremio.net)

Em 1983, o Grêmio foi decidir o Mundial no Japão e, ao chegar a Tóquio, soube que não poderia usar as meias que havia trazido, para não confundir com as do Hamburgo. Representantes do Grêmio saíram por Tóquio a procurar meias. O Grêmio jogou com umas de um azul diferente do seu tradicional, meias de uma cor que nunca tinha usado antes e que nunca mais usou depois.
( David Coimbra - ZH 10/12/2006)


De Leon escolheu o lado.

Torcida

A torcida, formada quase que só por orientais, praticamente lotava os 60 mil lugares e se divertia com o som ensurdecedor de milhares de cornetas distribuídas na entrada do estádio. A torcida gremista marcou presença principalmente com as faixas das torcidas organizadas Máquina Tricolor, Super Raça e Garra Jovem. (Gremio.net)


Programa e Ingreso

Além das fichas de cada jogador dos dois times, o programa trazia também um perfil mais amplo de alguns jogadores das equipes. Os do Grêmio incluiam De Leon e Renato. Além disso, havia uma breve descriçao sobre o país e a cidade do time. Em porto alegre, aparecia uma foto do laçador, do guaíba e de uma carroça entre automoveis.



O palco

O estádio Nacional de Tóquio, ou Tokyo Kasumigaoka National Stadium (Kokuritsu Kyogijo) , foi inaugurado em 1958 para os jogos asiáticos daquele ano. Foi sede ainda das Olimpíadas de 1964 , da Universiade de 1967 e do Mundial de Atletismo de 1971.

A partir de Fevereiro de 1981, passou a ser a sede do Mundial interclubes, o primeiro jogo, valendo o título mundial de 1980 foi disputado entre Nacional do uruguay e Nottingham Forest da inglaterra. Junto com essa, foram 22 ediçoes no mundial neste estádio, incluindo a "final branca" de 1987, entre porto e penãrol, com o gramado tendo em alguns pontos 20cm de neve. Em 2002 a competição passou a ser disputada em Yokohama
O Estádio tem capacidade para 60,057 pessoas, e tem uma área total de 33,716 metros quadrados. Localizado numa área central de Tóquio o estádio é servido por 3 linhas de metro e 2 estações de trem subterrâneo

Sábado, meio-dia, faltando 24 horas para o início da decisão, a delegação gremista desembarcou no local da partida para o reconhecimento do gramado. O mesmo seria feito pela equipe do Hamburgo horas depois.

O gramado queimado pela neve do rigoroso inverno japonês deixou uma má impressão, mas que foi prontamente desfeita quando os atletas começaram a fazer a bola rolar. Apesar de duro, amarelado e desgastado pelo frio, o piso mantinha a qualidade para a prática de um bom futebol. Os jogadores acabaram optando pelo uso de travas de borracha nas chuteiras. Agora só restava ao Grêmio esperar as últimas horas antes da maior decisão de sua história. (gremio.net)

Em tóquio

Feito todo o trâmite de entrada no país, a delegação gremista sofreu o primeiro choque cultural tendo em vista o avanço tecnológico e as modernidades japonesas. Isso sem falar no idioma. Nenhum letreiro que não tivesse a tradução para o inglês poderia ser identificado.

Sensível a estes problemas, a Toyota, patrocinadora do Mundial, colocou cinco tradutores à disposição da delegação 24 horas por dia. Com a ajuda deles, todos os problemas de alfândega foram solucionados até a delegação embarcar em um ônibus especial com destino ao local da concentração, no centro de Tóquio.


Um grande contingente de brasileiros aguardava no saguão do Hotel Prince pela chegada da delegação gremista. O trajeto de Narita até o hotel durou aproximadamente duas horas, um sacrifício pequeno para quem já havia passado 36 horas em deslocamento. A recepção foi carinhosa, ao estilo japonês, e animada, ao estilo brasileiro.


A grande maioria dos gremistas preferiu subir para os quartos para tomar banho e descansar em uma cama de verdade. O delicioso jantar foi servido às 20h15, horário local. Uma hora depois, a programação distribuída pelo clube anunciava que os atletas deveriam se recolher aos aposentos. O principal objetivo agora era adaptar o organismo dos jogadores ao fuso horário local.



Depois de aproximadamente 11 horas de descanso, a delegação gremista despertou às 9h da manhã de quinta-feira para o desjejum no restaurante do hotel. Uma alimentação leve, para não interferir no treinamento marcado para o meio-dia em um centro de treinamento próximo ao hotel.

O horário foi decidido pela comissão técnica por coincidir com o horário da partida de domingo. O estádio Nacional, local do jogo, só seria disponibilizado no sábado para um rápido reconhecimento do gramado. (Gremio.net)

Grêmio.Net: O senhor tem alguma história curiosa, peculiar, desta viagem ao Japão que possa ser relembrada?

Koff: O Alberto Galia sempre foi muito religioso, crente. Um dia fomos visitar o templo de Buda, em Tóquio. No altar havia uma fumaça que ficava ali permanente. O Galia começou a agarrar aquela fumaça com as mãos e a passar por todas as partes do corpo. Todas mesmo. Meio que constrangido ele olhou pra mim e disse que era para dar sorte. Mesmo com aquele jeito de brincalhão, a gente sabia que no fundo o desejo era esse. E deu certo.

Grêmio.Net: Você já foi quatro vezes com o Grêmio ao Japão mas em 1983 era a primeira vez. Como foi esse primeiro contato com tão diferente cultura?

Banha: Parecia que eu estava em outro mundo. Era completamente diferente do que eu estava acostumado. Uma tecnologia muito desenvolvida. Para atravessar a rua, havia um aparelho sonoro para ajudar os cegos a atravessarem. Impressionante.


Grêmio.Net: Houve alguma dificuldade de comunicação no dia-a-dia com os japoneses?

Banha: Não. Nenhum. O Grêmio pensou em tudo e, no hotel, haviam quatro ou cinco intérpretes à disposição da delegação. Se a gente queria sair pra fazer compras, sempre éramos acompanhados por um deles. Fiquei responsável por fazer feijão para os jogadores e até mesmo na cozinha havia um interprete para me ajudar


Viagem

Dia 05 de dezembro de 1983, segunda-feira, 17h30, um vôo da Varig levando 170 passageiros, entre eles os atletas gremistas, decolava do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, tendo como destino final o aeroporto de Narita, no Japão. Com eles, embarcava a esperança de milhares de torcedores ansiosos com a decisão do Mundial Interclubes.

A despedida emocionada de centenas de gremistas no aeroporto da capital gaúcha fez com que o início de viagem fosse marcado por um clima de alegria e confiança. Ninguém demonstrava preocupação com o desgastante vôo.



Porto Alegre - Rio de Janeiro - Lima

A primeira parada foi no Rio de Janeiro, onde a delegação trocou para um avião maior. No mesmo vôo, embarcaram os jogadores do time Estrelas da América, uma equipe com atletas e ex-atletas da América do Sul que faria jogos amistosos nos Estados Unidos.

As presenças de Rodolfo Rodriguez, Romerito, Rodrigues Neto, Carlos Alberto Torres e Figueroa, entre outros, causou rebuliço no avião. O zagueiro chileno, ex-Internacional, foi alvo das brincadeiras de gremistas e acabou tendo que vestir uma camisa do Grêmio, para alegria dos fotógrafos.

O carteado foi a principal distração encontrada pelos passageiros para ocupar o longo tempo ocioso dentro da aeronave. Jogos animados entre atletas, torcedores e diretoria ocupavam as atenções dos demais. Poucos permaneciam em seus lugares, e a caminhada pelos corredores foi a alternativa para a bem-vinda esticada de perna. Depois da janta e com a chegada da madrugada, as luzes foram apagadas e a maioria, derrotada pelo cansaço, caiu no sono.


A chegada em Lima ocorreu por volta das 3h30 de terça-feira, com escala de uma hora para reabastecimento. Alguns passageiros se aventuraram a descer do avião para fazer compras no aeroporto, mas prontamente retornaram de mãos vazias reclamando dos altos preços cobrados pelos comerciantes locais.


Lima - Los Angeles - Narita

Por volta das 10h de terça-feira, dia 6, já com o sol brilhando do lado de fora da janela, foi servido o café da manhã. Muitos já estavam de volta ao carteado, acompanhado do chimarrão. O avião se aproximava de Los Angeles, nos Estados Unidos, local da última escala antes do trecho mais longo da viagem.

Com o aeroporto de Los Angeles em reforma, os passageiros tiveram que aguardar em um local improvisado, dentro de um galpão inflável, até o anúncio da saída da nova aeronave. Dali para o Japão seriam mais 11 horas de vôo.

A constante mudança no fuso horário acabou confundindo todo mundo. A discussão a respeito do horário durou um bom tempo. Uns tinham mudado o relógio para o horário do Peru, outros para os Estados Unidos, mas a maioria optou por não mexer. Na verdade, a discussão foi só mais um pretexto para passar o tempo.

O técnico Valdir Espinosa, sabidamente temeroso quando entra num avião, já deixara de ser o alvo das brincadeiras. Acostumado com os barulhos das turbinas e com as turbulências, passou algumas horas na cabine de comando, onde recebeu uma aula de pilotagem.


De León, Mazarópi, Caio, Tonho e o próprio Espinosa, contavam com a presença de suas esposas no vôo. Uma concessão da diretoria gremista após apelo de Margarita, esposa do capitão uruguaio. (Gremio.net)

Grêmio.Net: Você conheceu quase o mundo todo com o Grêmio mas uma viagem tão longa e cansativa como esta foi a primeira vez. Como foi o vôo até Tóquio?

Banha: Foi tranqüilo. Conversamos bastante, jogamos carta, tomamos chimarrão. Na época eu pesava 143 Kg e o pessoal caiu na minha cabeça porque eu não conseguia fechar o cinto de segurança. A aeromoça teve que trazer outro pedaço de cinto para poder fechar. Era complicado ir ao banheiro também. Muito apertado (risos).

Saturday, December 09, 2006

Gramado

Em meio à disputa do Campeonato Estadual, a direção gremista resolveu instalar a “Operação Tóquio”, dando completa atenção à partida com o Hamburgo.

Entre as ações da direção gremista, houve um esquema de acompanhamento a fundo da equipe alemã, com o apoio da imprensa gaúcha e de gremistas radicados na Alemanha e uma excursão pela América Central. Com a proximidade da viagem para Tóquio, a diretoria gremista decidiu afastar o grupo da euforia que tomava conta dos torcedores gremistas em Porto Alegre e concentrou a delegação na cidade de Gramado, na Serra Gaúcha. Longe da agitação, o grupo trabalhou forte sob o comando do preparador físico Ithon Fritzen

Após o período em Gramado, o Grêmio desceu a serra para um último compromisso antes do início da viagem marcada para a tarde de segunda-feira. No sábado, a equipe reserva havia sido derrotada pelo Brasil de Pelotas, no Bento Freitas, dando adeus ao campeonato gaúcho, e no domingo, no Olímpico, em um amistoso de despedida, o time principal acabou derrotado pelo Novo Hamburgo pelo placar de 1 a 0.

O resultado não abalou a confiança da torcida gremista que prometeu lotar o aeroporto Salgado Filho antes do embarque. (Márcio Neves da Silva- Grêmio.net)


Mazaropi, Osvaldo, De León, Tarciso, JOÃO BOSCO VAZ e Baidek.

Paulo César, Renato, P.C.Caju e Casemiro.

Ithon Fritzen, eu, JOABEL PEREIRA, Mário Sérgio, Caio, China, Zeca e Banha.

Paulo Roberto e Dr. Colla.

Outros tempos

Essa foto foi tirada durante uma concentração em Gramado, antes do jogo final do Mundial Interclubes, em Tóquio. Estávamos assistindo a uma fita do jogo do Hamburgo da Alemanha, nosso adversário.

A fita foi conseguida através de um comandante da Varig que trouxe para nós depois de um bom tempo. Hoje em dia é bem mais fácil o acesso a todo tipo de informação, era digital. Mas além disto, e da antena moderna sobre a televisão, quero chamar a atenção de voces para a presença de dois repórteres, JOÃO BOSCO VAZ , da TV Gaúcha e JOABEL PEREIRA da Rádio Guaíba, assistindo a fita conosco.

Será que isso seria possível hoje em dia?

Outros tempos... (Valdir Espinosa)



Muito mais do que técnica e raça, o Grêmio precisou de fôlego para correr durante 120 minutos e derrotar o Hamburgo para sagrar-se campeão do mundo. E o responsável por fazer o time do Grêmio suportar até o fim foi o preparador físico Ithon Fritzen.

Ithon lembra que todo o planejamento gremista foi alterado para a disputa dessa partida decisiva: “Na época nós montamos um planejamento para o jogo bem diferente do normal, trabalhamos o fuso horário, entramos no clima de disputa de uma competição relativamente nova e que não tínhamos muitas referências além do Flamengo, que havia sido campeão em 1981.” Segundo o preparador físico, a alteração climática também era um fator a ser trabalhado: “Nós saímos de um verão no Brasil para o inverno no Japão. Do aeroporto até o hotel, nós víamos muita neve. Chegamos em Tóquio sete dias antes para nos adaptarmos ao horário, cuidarmos da alimentação dos atletas e também passamos a treinar no mesmo horário em que seria o jogo, para que os atletas entrassem definitivamente no clima da partida” (Ithon Fritzen)



“Nos íamos viajar naquela noite para a serra e eu disse que não ia viajar. Então o Verardi mandou eu ir falar com o presidente. Ai eu disse que ia para a serra, mas não ia para Tóquio. Então eu fui para a serra e treinei. Ai voltamos, descemos para Porto Alegre, chegamos e eu falei:
- Seu Verardi, se o senhor não falar com o presidente, não vou viajar não.
No dia seguinte era a nossa viagem. Nos fizemos um jogo amistoso em Porto Alegre e eu insisti que não ia viajar se o presidente não tirasse aquela multa. Ai o Verardi sugeriu que nos fossemos na sala dele. Então nos fomos. Só que eu disse que eu queria uma testemunha. Levamos o Espinosa. Entramos. Eu me lembro ate hoje do presidente. Ele era meu pai. Então falou:
- O que houve, Renato?
- Não vou viajar
E o Espinosa apavorado. E o Koff:
- Não vai viajar, você esta maluco? Não vou tirar a multa.
Virou e mexeu, continuamos a discutir e fechou o seguinte: eu fiz um trato com ele.
Eu sugeri:
- Eu viajo e o senhor deixa a multa. Se nos formos campeões, o senhor tira a multa. Se eu meter um gol, o senhor me dá um reajuste, mas sendo campeão.
Ai ele disse:
- Ta legal.
Então falei:
- Tem mais uma coisinha: se eu meter dois gols, o senhor dá o meu reajuste e dobra meu salário. E o Koff disse:
- Você esta maluco?

Ai ele deu o reajuste e dobrou o meu salário com o maior prazer.
Quando terminou o jogo, eu perguntei: cadê o presidente? “Eu olhava para ele e ele fugia de mim, ai eu ria e ele também” (Renato Portaluppi).

Paulo Cesar Caju e Mário Sérgio




Desde a conquista da Libertadores, no dia 28 de julho, até a final do Mundial, no dia 11 de dezembro, o Grêmio teria exatos 136 dias para se preparar. Foi uma verdadeira maratona, com 40 jogos neste período, mesclando a equipe titular e a reserva.

Equipe titular que havia sofrido uma baixa importante. Nem mesmo a vaga assegurada na grande decisão de Tóquio foi suficiente para que o meia Tita desistisse da idéia de retornar ao Flamengo após a conquista da Libertadores. Eterno reserva de Zico no time da Gávea antes de ser emprestado ao Grêmio, Milton Queirós da Paixão, o “Tita”, viu na venda do Galinho de Quintino para a Udinese da Itália a grande chance de assumir a camisa 10 do rubro-negro carioca, um antigo sonho. A vontade do jogador aliada à pressão do Flamengo por seu retorno tornou impossível manter o atleta no Olímpico.

Com a iminente perda de um dos seus principais jogadores na campanha da Libertadores, o Grêmio tratou de buscar um substituto a altura. Acabou trazendo não apenas um, mas dois substitutos: os experientes Mário Sérgio e Paulo César Caju. Este último já havia atuado pelo Tricolor em 1979, vencendo o Estadual.

Mário Sérgio atuava pela Ponte Preta, e Paulo César foi trazido do Aix em Provence, equipe do futebol francês. Estavam aí os dois reforços visando a final de Tóquio que fizeram a torcida esquecer Tita. (Márcio Neves da Silva- Grêmio.net)

Visando o jogo final do mundial em Tóquio ,em 83,fomos ,Ithon ,preparador físico, e eu,assistir ao jogo do Hamburgo contra o Werner Bremem pelo campeonato alemão.

Terminado o jogo ,fui entrevistado pelas rádios Guaíba e Gaúcha de Poro Alegre ,que acompanhavam aquela partida.

Queriam saber qual seria nosso comportamento tático ,para enfrentarmos a decisão do mundial de clubes.

Fui simples :

-"Contratar o Mário Sérgio"!

Voltando a Porto Alegre,sabia que os dirigentes pensavam ,que o Mário seria mais um problema e não uma solução.

Então acrescentei:

-"Contratem o Mário Sérgio e nós seremos campeões"!!

Ligo então para o Mário,na época jogando pela Ponte Preta,para convencê-lo a ir para aquele desafio.Convite aceito,felicidade minha e apreensão também ,posto que ainda precisava convencer os dirigentes da importância daquela contratação.

Mais uma reunião:Objetivo alcançado!!!

Mário Sérgio contratado!

Mário Sérgio ,destaque no jogo final! (Valdir Espinosa)

Antecedentes

Como campeão da libertadores de 1983, o Grêmio enfrentaria no Mundial em Tóquio o Hamburgo, campeão da copa dos campeões europeus da temporada 1982-1983. Confira a campanha das duas equipes nessas competições:

Hamburgo - Copa dos campeões 82-83

Primeira fase
15/09/82 - Berlim (ALE) - Dynamo 1 x 1 Hamburgo
29/09/82 - Hamburgo (ALE) - Hamburgo 2 x 0 Dynamo

Oitavas-de-final
20/10/82 – Hamburgo (ALE) - Hamburgo 1 x 0 Olympiakos
03/11/82 – Pireus (GRE) - Olympiakos 0 x 4 Hamburgo

Quartas-de-final
02/03/83 – Tbilisi (URSS) - Dinamo Kiev 0 x 3 Hamburgo
16/03/83 – Hamburgo (ALE) - Hamburgo 1 x 2 Dinamo Kiev

Semi-final
06/04/83 - San Sebastian (ESP) - Real Sociedad 1 x 1 Hamburgo
20/04/83 - Hamburgo (ALE) - Hamburgo 2 x 1 Real Sociedad

Final
25/05/83 – Atenas (GRE) - Hamburgo 1 x 0 Juventus


Final
25 de Maio de 1983, Olympiako Stadio, Atenas (Grécia)

Juiz: Nicolae Rainea (Romênia)
Gol: Magath aos 7 minutos do
primeiro tempo

HAMBURGO: Stein; Kaltz, Hieronymus, Jakobs, Wehmeyer; Groh,
Rolff, Magath, Milewski; Bastrup (Von Heesen), Hrubesch
Técnico: Ernst Happel
JUVENTUS: Zoff; Gentile, Brio, Scirea, Cabrini; Bonini,
Tardelli, Bettega; Platini, Rossi (Marocchino), Boniek
Técnico: Giovanni Trapattoni

Grêmio - Libertadores 83

Primeira Fase
04/03/83 - Porto Alegre (BRA) – Grêmio 1 x 1 - Flamengo
22/03/83 - Santa Cruz (BOL) - Blooming 0 x 2 Grêmio
25/03/83 - La Paz (BOL) - Bolívar 1x 2 Grêmio
26/04/83 - Porto Alegre (BRA) - Grêmio 2 x 0 Blooming
31/05/83 - Porto Alegre (BRA) - Grêmio 3 x 1 Bolívar
05/06/83 - Río de Janeiro (BRA) - Flamengo 1 x 3 Grêmio

Semifinais
21/06/83 - Porto Alegre (BRA) - Grêmio 2 x 1 Estudiantes
24/06/83 - Cali (COL) - América de Cali 1 x 0 Grêmio
06/07/83 - Porto Alegre (BRA) - Grêmio 2 x 1 América de Cali
08/07/83 - La Plata (ARG) - Estudiantes 3 x 3 Grêmio

Final
22/07/83 – Montevideo (URU) – Peñarol 1 x 1 Grêmio
28/07/83 – Porto Alegre (BRA) – Grêmio 2 x 1 Peñarol

Jogo Final
28 de julho de 1983 – Estádio Olímpico, Porto Alegre
Juiz: Edison Perez (Peru)
Público: 80.000
Gols: Caio aos 10 do 1º; Morena aos 25 e César aos 31 do 2º tempo

GRÊMIO: Mazaropi, Baidek, De León, Paulo Roberto, China,
Casemiro, Osvaldo, Tita, Renato, Caio (César), Tarciso.
Técnico: Valdir Espinosa
PEÑAROL: G.Fernández, W.Olivera, Gutiérrez,Montelongo,
Diogo, Bossio, Silva, Saralegui, Morena, Zalazar, V.Ramos.
Técnico: Hugo Bagnulo